A quem possa interessar, travessia circular entre fazendas: Chácara da Bolinha x Fazenda Rio das Pedras

A cilada começou na Chácara da Bolinha @chacaradabolinha. Eram previstos cinco participantes: eu, Marcelo Nadovich, Marcelo Rodrigues, Pedro e o Fábio. Acabou que tivemos dois DNS (Did Not Start): o Marcelo Nadovich e o Fábio (que acabou indo mais tarde para não acordar cedo 😆 ).

Início na Chácara da Bolinha: Pedro, Marcelo e eu.

Iniciamos às 6h13, com a temperatura a “agradáveis” 6 °C. Subimos o Camacuã (1.550 m) e o Camapuã (1.699 m) num ritmo tranquilo, sem forçar muito, pois haveria muito perrengue pela frente.

Descemos o vale entre o Camapuã e o Tucum e, na subida, tivemos a agradável surpresa de encontrar os missioneiros Luiz Carlos Voronivcz e Nelson “Pexe”. Conversamos brevemente e seguimos rumo ao cume do Tucum (1.739 m), para enfim começar a presepada.

Seu Luiz, Pedro, Marcelo, Nelson e eu

Descendo verticalmente o Tucum, o verdadeiro “Inferno Verde” (esquece o Inferno Verde do Araçatuba, esse é um céu rs), depois de várias cordas e alguns leves escorregões, entramos no vale que dá acesso à subida para o Cerro Verde.

Descida vertical do Tucum

E estava uma delícia: imagina a situação, temperatura baixa, sombra feita pela montanha e a Mata Atlântica cheia de gotas em cada folha da vegetação. Cenário perfeito para uma hipotermia no caso de um aventureiro despreparado.

Ficamos completamente encharcados, do pescoço aos pés.

E enfim chegamos ao cume do Cerro Verde (1.660 m), onde havia pessoas acampando, tomando café e “queimando um verde” rs.

Depois do cume, retornamos ao cruzo que nos levaria até o Itapiroca (1.799 m), a terceira montanha mais alta do Sul do país, e, a partir desse ponto, eu entrava em território inédito para mim.

Dois dias antes, assisti a este reel no Insta:

Reel no Instagram

Onde o autor fala que o pomposo Pico Paraná (1.877 m) não é nada comparado à trilha que leva ao Cerro Verde. Para ser honesto, eu até gosto da trilha até lá. Apesar de partes travadas e muito vara-mato, é uma trilha bonita e relativamente corrível.

Já de lá ao Itapiroca, o buraco é mais embaixo (inclusive tem vários buracos, sumidouros rs).

Começamos a apanhar da vegetação. Passávamos por ela e ela arranhava, ricocheteava nas nossas pernas e rostos, e tudo permanecia molhado rs.

Dos 1.660 metros de altitude do Cerro Verde, caímos para aproximadamente 1.480 m e depois subiríamos, em meio à Mata Atlântica fechada, até o cume do Itapiroca, numa trilha pouco utilizada (porém consolidada).

Chegando ao cume do Itapiroca, começamos a queda livre. Tirei a minha térmica e as luvas, passei o protetor solar e pau no downhill!

Tudo ótimo, se não fossem as centenas de pessoas na trilha indo para o Pico Paraná, Caratuva (1.852 m), Getúlio (1.477 m), Itapiroca e outras montanhas da Serra do Ibitiraquire.

Na descida do Getúlio, encontrei o amigo Washington Luiz, corredor e guia de primeira linha, tá sempre levando a galera para as montanhas em segurança. Nem o reconheci sem barba kkk ainda bem que ele me gritou.

O guia Washington e eu

E finalmente, com aproximadamente 14 km e mais de 1.500 m D+ acumulados em 4h30, chegamos à Fazenda Rio das Pedras.

Chegada no IAT Pico do Paraná

Aqui fica a dica: chegando à Chácara da Bolinha, você preenche o formulário e informa que irá fazer a travessia (apesar de eu não achar essa travessia uma boa ideia, mas tem louco para tudo kkk). Eles irão fornecer uma pulseira azul para acesso ao Parque Pico Paraná.

Chegando ao IAT, na Fazenda Rio das Pedras, não faça a baixa, pois ainda tem a volta. Diga que vai voltar pela estrada/BR. Quando finalizar na Bolinha, aí sim preencha o formulário de saída, dizendo que você está vivo e que foi uma super experiência rs.

Na minha cabeça, o pior estava por vir, que seria fazer mais 14 km em estradas de terra e no acostamento da BR, até o retorno à Bolinha.

Para a minha surpresa, até que foi tranquilo. Conseguimos encaixar um bom ritmo e fechamos a volta completa em um pouco mais de 6 horas, com quase 2.000 m de desnível positivo.

Fim de travessia, retorno a Chácara da Bolinha

Apenas como referência (minha, cada um tem a sua necessidade), consumi 6 géis (30 g de carb), 2 goiabinhas (21 g), 2 cápsulas de sal, 2 sachês de mostarda, 1 pastilha de chocolate, 500 ml de Jungle (tipo isotônico, sem os venenos do Gatorade e similares) e uns 750 ml de água.

Deu super boa, energia estável, sem câimbras.

E aí, o que achou? Acha que valeu a pena?

Para mim, sim. Mas é uma daquelas experiências que uma vez só na vida tá bom… ou até que eu esqueça o perrengue e alguém me convide novamente kkkk.

Tênis utilizado: Merrell Agility Peak 5. Apesar de ter um drop um pouco elevado para o meu gosto 8mm, foi bem no percurso, transmitiu segurança nas trilhas ténicas e molhadas.  Também usei uma polaina da Salomon no tornozelo, evitando que qualquer pedrinha chata ou outro detrito entrasse dentro do tênis.

Teve outra presepada mais antiga na Serra do Ibitiraquire, a travessia Ciririca por cima, já ouviu falar? Dá uma lida no artigo: https://www.trailrunning.net.br/travessia-7-cumes-ciririca-por-cima-serra-do-ibitiraquire/  essa eu queria refazer só para tentar baixar o tempo pela metade rs

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