Correndo na Serra do Marão: minha experiência na MTM 25K em Portugal

Após o Araçatuba Half Marathon e a Andes Mountain Sky Race 18K, finalmente chegou a vez de correr em um território completamente novo para mim, as belas trilhas portuguesas da Serra do Marão, na MTM 25K 2026, encerrando o calendário do primeiro semestre do ano.

Chegamos ainda cedo, por volta das 6:30, na bela cidade de Amarante. A Serra do Marão é uma das regiões montanhosas mais marcantes do norte de Portugal, conhecida pelo relevo granítico, clima mais frio e pelo vento constante, tanto que no topo estão espalhadas enormes torres de energia eólica. Historicamente, essa serra sempre foi uma espécie de barreira natural entre o litoral e o interior do país, o que acabou preservando muito das características dos vilarejos da região.

Frio em Amarante, camiseta da prova bem legal.

Fomos até a expo, com preços de roupas, tênis e equipamentos muito bons, para retirar o kit, que foi composto por uma bag, camiseta, com tecido, estampa e forma perfeitos, e um gel de carboidrato. Faziam cerca de 5°. De lá, embarcamos em um ônibus, um auto carro, como dizem os portugueses, e subimos a serra por cerca de 40 minutos até a simpática vila de Baião, onde a largada seria realizada às 8:30.

Largando no fundão

Como a largada seria nas ruas da cidade, me posicionei no fundão e, mais uma vez, fiz uma saída conservadora, no meu ritmo, o que já foi suficiente para, antes do primeiro quilômetro, eu ter passado muita gente. Na primeira subida mais íngreme, o pessoal começou a caminhar, e segui firme no trote.

Saindo da zona mais urbana, entramos em estradas rurais que logo deram espaço para trilhas rodeadas de pedras graníticas, bem típicas da região. São trilhas mais “corríveis” em muitos trechos, diferentes do que estamos acostumados no Brasil, muitas delas antigas ligações entre vilarejos, com partes em pedra que seguem preservadas até hoje.

Culminamos na chegada às imensas torres de captação de energia eólica, ponto mais elevado da prova, perto dos 1.000 metros de altitude, com bastante vento batendo. Dali começou o longo downhill. Essa prova tem bem mais descida do que subida, com algo em torno de 800 m de ganho positivo contra mais de 1.100 m de descida, o que muda bastante a dinâmica.

Apesar de não ser minha praia, desci bem. A trilha ficou bem interessante, com trechos de estrada não pavimentada e outros com calçamento de pedra, mas no geral eram trilhas muito boas de correr, single track veloz, com vários pontos molhados e alguns com lama. A região é rica em nascentes e cursos d’água, o que explica esses trechos mais úmidos ao longo do percurso.

Em um determinado trecho, corremos por uma passarela de pedra bem estreita, com tudo ao redor alagado. Em outro, descemos por uma cascata, numa trilha de pedra com água corrente, por quase 1 km. Foi simplesmente incrível, uma daquelas experiências que enriquecem a prova.

Durante toda a subida fui acompanhando a primeira colocada feminina. Nas descidas, revezamos a posição, até que nos juntamos aos corredores dos 14 km. Aí virou uma bagunça. Bem no trecho mais técnico, ficou difícil fazer ultrapassagens. Aproveitava as breves entradas nas estradas de paralelepípedo para dar aquele impulso extra, até que consegui passar a muvuca e voltei a render bem.

Próximo do km 20 bateu uma forte vontade de ir ao banheiro, o que estava fora de cogitação. Só me restou segurar e controlar o pace, que tirou um pouco do meu rendimento. A primeira colocada abriu um pouco. Tivemos então a segunda subida da prova, menor que a primeira, mas já com o desgaste acumulado da descida. Deu para subir bem, mas não no meu nível normal.

Depois veio a descida final em trilha até a cidade de Amarante. Corremos margeando o rio Tâmega, cercado de edifícios antigos, ruas de pedra e aquele visual bem característico das cidades históricas portuguesas, que dá um charme absurdo para a chegada. Que vibe!

Próximo da chegada, margeando o rio Tâmega, preparando a bandeira do Brasil.

E por fim, com 2h18min, cruzei a linha de chegada. Minha previsão otimista era 2h50, fiquei 18º no geral e 7º na minha categoria, à frente de atletas com ITRA bem maiores que o meu. Também fui o melhor estrangeiro da prova, à frente de atletas da Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, França, entre outros. Fiquei muito feliz com o resultado e por conseguir ser competitivo em uma prova internacional.

Na chegada, uma recepção calorosa da Fran e da Pietra, que ficaram explorando a cidade enquanto eu corria. Obrigado, queridas, foi muito bom cruzar a linha e encontrar vocês!

A organização da prova foi impecável: kit, transporte, marcação, ambulâncias, staffs, pontos de controle, apesar de não ter parado em nenhum. E agora, pasmem, a inscrição custou apenas 30 euros, o equivalente a cerca de R$ 180. Algo inimaginável no Brasil para esse nível de entrega.

E vejam só, estavam distribuindo um panfleto de uma prova próxima ao Porto, na semana seguinte, em que a distância de 21 km custava 15,5 euros no último lote. Quase me inscrevi.

Foi uma baita experiência. Fiquei feliz demais por ter corrido por aquelas paisagens pitorescas, pelos vilarejos antigos e por trilhas tão diferentes do que estamos acostumados no Brasil.

Obrigado a todos os meus apoiadores, companheiros de treino e incentivadores: minha parceira Franceli, o professor Carlos Eduardo, da Carbono Assessoria, Link Monitoramento, Marcelo Nadovich e tantos outros.

Obrigado gatas!

Tênis utilizado: Merrell Agility Peak 6. Segunda prova com o azulzinho, estou gostando muito, um dos melhores, senão o melhor tênis de trail que já tive.

Grip absurdo, inclusive na pedra molhada e dentro de trilha de rio. Boa altura de drop, não é alto a ponto de ficar tropeçando como a maioria dos tênis de hoje, que parecem um salto plataforma de tanto maximalismo. Nele consigo ter a sensação de contato com o solo, quase como um drop 0, mas sem perder o amortecimento.

Que fique claro que não é o tênis com mais amortecimento. É um modelo oficialmente voltado para ultra, mas eu já fiz ultras até sem palmilha, então não sou uma boa referência kkk. Inclusive, acho a versão 5 mais macia, mas não tem a mesma estabilidade lateral da versão 6.

Resultados da prova no ITRA: https://itra.run/Races/RaceResults/MTM/2026/104659
Cronometragem da prova: https://results.stopandgo.pro/1719/ranking/individual/1/4
Fotos oficiais do evento: https://profotosport.pt/pt/galleries/ultra-trail-do-maro-2026
Site da Ultra Trail do Marão: https://utmarao.pt/

 

Momento antes da largada
Fran e eu S2

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